• Dra Patrícia Savoi

Você conhece a melatonina?

Essa substância tem sido muito citada, recentemente, tanto nas redes sociais, como por alguns médicos (inclusive eu). E como prometi, gostaria de compatilhar um pouco com vocês sobre ela. 



Coloquei essa imagem, pois não quero fazer propaganda de nenhuma marca, mas essas são muito conhecidas por quem viaja e compra suplementos fora do Brasil ( o que nem sempre é recomendado, diga-se de passsagem). Mas, primeiro; tenho que falar um pouco sobre o SONO. 


O sono pode ser definido como o rebaixamento do nível da consciência, caracterizado pela presença de quatro critérios comportamentais: (a) redução da atividade motora; (b) diminuição de resposta à estimulação; (c) posturas estereotipadas , e (d) condição relativamente reversível.


Consiste em um evento fisiológico de extrema importância para o organismo, pois permite a restauração celular, a conservação de energia, a síntese de hormônios e até mesmo a consolidação de memória de longo-prazo. A melatonina é um importante modulador endógeno do sono. Trata-se de um hormônio secretado pela glândula pineal, cuja síntese promove o relaxamento muscular, sendo necessário para o sono contínuo. Seu nível é elevado durante a noite, pois a fotossensibilidade da glândula pineal inibe a secreção de melatonina quando a luz é captada pelo chamado núcleo supraquiasmático, localizado no hipotálamo. Há estudos demonstrando que a luz artificial pode interferir na produção da melatonina de forma semelhante a que a luz solar o faz. E é aqui que entra as interferências da televisão, dos tablets e celulares móveis; assim como a luz em ambientes de trabalhos noturnos.


Outra associação importante encontrada é que o nível do hormônio cortisol (conhecido como o hormônio relacionado ao stress) também vem sendo associado a alterações na duração e na qualidade do sono. Estudos demonstraram a associação da elevação do nível de cortisol com a prejuízos na qualidade o sono. Estes dados reforçam as observações feitas em pacientes com diagnóstico de depressão, pois foi observado que pacientes com tal transtorno de humor apresentam alterações importantes nos ciclos de sono-vigília, bem como se sabe que estes pacientes apresentam níveis elevados de cortisol. Pode se dizer que alterações na qualidade do sono estão associadas a diferentes prejuízos na vida do indivíduo.


E a melatonina, onde entra?

Como dito acima, ela é um hormônio essencial para uma boa qualidade de sono. E o nosso dia a dia atual é bem poluído por essas luzes artificiais. Pense sozinho: quando foi a última vez que olhos seu celular, tablet ou televisão antes de dormir? É muito comum pessoas dizerem que só conseguem pegar no sono assistindo alguma coisa, porém, o sono que este indivíduo adquire não é de boa qualidade.


O ideal segundo diversos estudos é estar com TODAS as luzes apagadas após as 22hrs. Isso mesmo!!! 


E como podemos usar a melatonina a nosso favor?

O efeito cronobiótico dela, o principal de seus efeitos, é a regulação do relógio endógeno em relação ao fotoperíodo ambiental. Assim, ela influencia os ritmos circadianos de sono-vigília e da temperatura corporal, o que se relaciona diretamente com o início e a manutenção da qualidade do sono.


Estudos  revelaram um aumento no tempo total de sono e na eficiência do sono bem como redução das latências para o estágio N1(vigília) e N2 (sono verdadeiro) do sono no grupo que fez uso de melatonina quando comparados a pacientes que não utilizaram a substância.

Atualmente, é possível observar diversos grandes estdos e revisões de literatura que abordam o uso de Melatonina para distúrbios do sono e alerações cognitivas em idosos, inclusive com doenças degenerativas como o Alzheimer. Muitos desses, já apresentam resultados posivitos; porém mais estudos são necessários para que a prescrição da Melatonina seja clara. 

As doses no mercado são bem variadas e não vou discutir o uso delas aqui, pois acredito que isso deve ser discutido com seu médico.


É importante lembrar que no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) não permite a total comercialização da Melatonina devido à ausência de seu registro. Contudo, a sua importação é autorizada, pois não se trata de substância taxativamente proibida.

Gosto de lembrar também (e bato muito nessa tecla) que existem diversas ferramentas que podem ser usadas para uma melhora na qualidade de sono como:


- Prática de atividade física (e evitá-las à noite)

-Alimentação adequada

-Evitar tablets, celulares e televisão após as 21hrs

-Meditação

-Exercícios de respiração

-Yoga

Entre outros!! 


CONSULTE SEU MÉDICO PARA DISCUTIR A MELATONINA.


Referências Bibliográficas

1- Guimarães, Leonardo, Mayara Schirmer, and Zuleika Costa. "IMPLICAÇÕES DA PRIVAÇÃO DO SONO NA QUALIDADE DE VIDA DOS INDIVÍDUOS." Revista Perspectiva: Ciência e Saúde 3.1 (2018).

2-” Repeated melatonin supplementation improves sleep in hypertensive patients treated with Beta-blockers: a randomized controlled trial.” Frank A.J.L. Scheer; Christopher J. Morris; Joanna I. Garcia; Carolina Smales; Erin E. Kelly; Jenny Marks; Atul Malhotra; Steven A. Shea. SLEEP, Vol. 35, No. 10, 2012

3-Vieira, R. B., de Araujo Dantas, A., & Cayana, E. G. SUPLEMENTAÇÃO DA MELATONINA COMO ALTERNATIVA TERAPÊUTICA PARA INSÔNIA.

4-Martinez, Denis, Maria do Carmo Sfreddo Lenz, and Luiz Silveira Menna-Barreto. "Diagnóstico dos transtornos do sono relacionados ao ritmo circadiano." Jornal Brasileiro de Pneumologia. Brasília. Vol. 34, n. 3 (Mar. 2008), p. 173-180(2008).


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