• Dra Patrícia Savoi

E agora falaremos do THC!

Atualizado: 5 de fev. de 2020


Temos falado muito do Canabidiol, mas é importante sabermos que ele é apenas um das centenas de canabinoides presentes na Cannabis sativa. O THC -tetrahidrocanabinol é outro importante canabinoide presente na mesma planta citada anteriormente. Ele é responsável pelos efeitos psicoativos e muitos dos efeitos medicinais da planta.

Apesar de o THC ser mais comumente consumido em sua forma natural, ou seja, na própria planta, o THC isolado ou suas formas artificiais, como o dronabinol, são raramente utilizados.

Isso ocorre porque o THC sozinho causa efeitos psicoativos mais fortes do que em sua forma natural, devido ao efeito comitiva. Trata-se da interação entre o THC e outras substâncias que interagem com ele, como o CBD-canabidiol , que também se encontram na Cannabis Sativa. O CBD contrapõe os efeitos psicóticos do THC, amenizando seus efeitos colaterais. Além disso, o CBD também pode potencializar os efeitos medicinais do THC, como é o caso da dor crônica. Estudos demonstram que, apesar do CBD isolado não funcionar como um analgésico, o CBD em conjunto com o THC tem um efeito superior ao THC usado separadamente. Esse tipo de interação também ocorre com uma série de outras substâncias presentes na cannabis.

Atualmente, estudos apresentam resultados conclusivos quanto ao uso de THC para tratar três enfermidades:

• Dor crônica;

• Náusea e vômitos induzidos pela quimioterapia ;

• Espasmos musculares causados pela esclerose múltipla.

Apesar de ainda não possuirmos evidências suficientes para comprovar esse efeito, há indicação de que o THC possa tratar mais do que apenas os espasmos, no caso da esclerose múltipla.

No caso da dor crônica, a maioria dos experimentos foram conduzidos com o THC isolado ou um análogo sintético. Contudo, conforme mencionado anteriormente, há também evidências de que a planta in natura pode ser ainda mais eficaz, trazendo ainda menos efeitos colaterais. Mais estudos são necessários para comprovar essa suspeita.

Há uma série de evidências demonstrando que o THC é capaz de tratar doenças autoimunes diabetes tipo 1, esclerose múltipla, artrite reumatoide, entre outras.

O THC, e não somente o CBD, possui um efeito neuroprotetor, podendo servir no tratamento da epilepsia (inclusive suas formas refratárias), da esclerose múltipla, mal de Alzheimer e mal de Parkinson. Faltam estudos conclusivos sobre o tratamento dessas doenças, contudo.

Até o momento temos apenas um estudo em humanos (que demonstrou um resultado positivo) utilizando o THC no tratamento de câncer. Como um número pequeno de pacientes foram utilizados, ainda não há evidências conclusivas de que o THC possa tratar o câncer com sucesso.

O THC deve ser usado com cuidado, prestando atenção em possíveis efeitos colaterais. Grupos de risco, ou seja, pacientes que podem apresentar mais sensibilidade aos efeitos da erva, incluem:

• Pacientes com doenças cardíacas;

• Pessoas que apresentam alguma reação alérgica ao consumir cannabis (por exemplo: vermelhidão);

• Pessoas com pressão sanguínea baixa que experimentam queda de pressão ao consumir a erva;

• Pessoas com pressão alta;

• Portadores de doenças psicóticas (exemplo: esquizofrenia);

• Fumantes de tabaco;

• Pacientes psiquiátricos.

Algumas pessoas apresentam sintomas psicóticos, como paranoia, ao consumir cannabis. Para pessoas que não têm uma doença psicótica, esses sintomas desaparecem quando o efeito do THC termina. Para pessoas com essa sensibilidade, o uso da cannabis não é recomendado.

O THC causa dependência em cerca de 9% dos usuários frequentes. Os sintomas de abstinência são considerados leves e sessam após 2 semanas sem o consumo da substância.


É importante lembrar que esse texto não substitui uma consulta médica!!!


Dra Patrícia Savoi

CRM 140483

RQE 40.206

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